Controle parental no Android: como configurar o Family Link

Passo a passo para configurar o Family Link e os controles parentais do Android 17: tempo de tela, Modo Escola, aprovação de apps e localização.

Controle parental no Android: como configurar o Family Link

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Entregar o primeiro celular a uma criança ou acompanhar o uso de um adolescente exige mais do que confiança: o Android tem ferramentas oficiais e gratuitas para definir limites de tempo, filtrar conteúdo, aprovar downloads e saber onde o aparelho está. A principal delas é o Google Family Link, que em 2026 ganhou a companhia dos controles parentais nativos do Android 17, disponíveis direto nas Configurações.

Neste guia você vai entender a diferença entre as duas opções, o que é preciso para começar, como configurar tudo passo a passo e quais ajustes realmente fazem diferença no dia a dia da família.

Em junho de 2026, o Google anunciou que os Android Parental Controls chegariam a todos os aparelhos atualizados para o Android 17. Eles estrearam nos Pixel em 2025 e ficam dentro das Configurações do celular, protegidos por um PIN definido pelo responsável. Com eles é possível:

  • definir quanto tempo de tela a criança pode usar por dia;
  • criar horários de descanso que bloqueiam o aparelho automaticamente à noite;
  • limitar a classificação indicativa máxima dos apps baixados na Google Play;
  • limitar o tempo de apps específicos ou bloqueá-los completamente.

Esses controles funcionam no próprio aparelho. Já o Family Link é um app instalado no celular dos pais que gerencia a conta Google da criança à distância, em todos os dispositivos supervisionados. Ele acrescenta recursos como o Modo Escola (School Time), a aprovação de compras e downloads na Play Store, a localização do aparelho e alertas.

Na prática: se você só quer limitar o tempo de tela de um tablet usado pela criança em casa, os controles nativos resolvem. Se quer acompanhar tudo pelo seu próprio celular, aprovar apps e ver a localização, use o Family Link. As Configurações do Android 17 têm inclusive um atalho para migrar dos controles locais para o Family Link.

O que você precisa antes de começar

Segundo a central de ajuda do Google, os requisitos são:

  • Responsável: ter 18 anos ou mais (ou a idade exigida no seu país), uma conta Google e um celular Android 6.0 ou superior, um iPhone/iPad com iOS 16 ou superior ou um Chromebook compatível para instalar o app Family Link.
  • Criança: um aparelho Android 6.0 ou superior, um Chromebook ou um dispositivo Fitbit compatível, além de uma conta Google.
  • Mesmo país: pais e filhos precisam morar no mesmo país.

Há duas limitações importantes: iPhones e iPads não podem ser supervisionados pelo Family Link (apenas o celular dos pais pode ser um iPhone), e contas do Google Workspace for Education, usadas por muitas escolas, também não podem ser gerenciadas.

Idade mínima e contas de adolescentes

No Brasil, em Portugal, no Reino Unido e na maioria dos países, a idade mínima para alguém gerenciar a própria conta Google é 13 anos. Abaixo disso, a conta precisa ser criada e gerenciada por um responsável pelo Family Link. Alguns países europeus adotam idades maiores, como 14 anos na Espanha e 16 anos na Alemanha e na Irlanda.

A partir dos 13 anos, o adolescente pode ter a própria conta e você pode adicionar supervisão a ela. A diferença é que, nesse caso, ele também pode encerrar a supervisão. Se isso acontecer, você recebe uma notificação e os aparelhos supervisionados ficam temporariamente bloqueados. Por isso, vale combinar as regras com o adolescente em vez de impô-las sem conversa.

Baixe o app Google Family Link na Play Store (ou na App Store, se você usa iPhone) e entre com a sua conta Google. O app vai perguntar se você quer criar uma conta para a criança ou supervisionar uma conta que já existe.

2. Crie a conta da criança (menores de 13 anos)

No Family Link, toque no perfil no canto superior e em Adicionar criança. Depois, siga as instruções: nome, data de nascimento, endereço do Gmail e senha. Também é possível fazer isso ao ligar um celular novo: quando o Android pedir para entrar em uma conta Google, toque em Criar conta e escolha a opção Para meu filho. Em seguida, entre com a sua conta e dê o consentimento de responsável.

3. Vincule o aparelho da criança

No celular da criança, abra as Configurações. No Android 17, procure Controle parental e toque na opção para usar o Google Family Link (o nome exato pode variar conforme o fabricante). Em versões anteriores, o caminho costuma ser Configurações > Google > Controle parental. Escolha a conta que será supervisionada, confirme com a sua conta e revise as permissões propostas.

4. Revise os ajustes iniciais

Ao terminar, o Family Link mostra um resumo com filtros de conteúdo, apps instalados e tempo de tela. Não aceite tudo no automático: ajuste cada item conforme a idade da criança, como explicamos abaixo.

Os ajustes que mais fazem diferença

Tempo de tela e hora de dormir

Em Tempo de tela > Limites de tempo > Programação semanal, defina um limite diário para cada dia da semana, por exemplo mais curto em dias de aula e um pouco maior no fim de semana. Configure também o horário de descanso, que bloqueia o aparelho à noite. Quando o limite acaba, o aparelho é bloqueado; apenas os apps que você marcar como sempre permitidos continuam disponíveis.

Se a criança precisar de alguns minutos extras para terminar um trabalho, use o tempo bônus: ele vale só para aquele dia e não altera a programação semanal.

Modo Escola

O Modo Escola (School Time) limita o celular durante o horário de aula, deixando liberados apenas os apps que você escolher, como a calculadora ou um app de mensagens com a família. É útil para quem leva o celular na mochila, mas não deve se distrair durante a aula.

Aprovação de apps e compras

Nos controles da Google Play, escolha se a criança precisa da sua aprovação para baixar apps gratuitos, apps pagos ou fazer compras dentro dos apps. Você recebe o pedido no seu celular e aprova ou recusa em segundos. Atenção: essa aprovação só vale para compras feitas pelo sistema de cobrança da Google Play. Pagamentos feitos por outros meios dentro de alguns apps não passam por ela.

Defina também a classificação indicativa máxima para apps, jogos, filmes e livros. Assim, títulos acima da faixa escolhida nem aparecem como opção de download.

Bloqueio de apps e permissões

Na lista de apps do aparelho supervisionado, você pode bloquear um app específico, limitar só o tempo de uso dele ou alterar as permissões (câmera, microfone, localização, contatos). Para entender o que cada permissão libera, veja nosso guia sobre como gerenciar permissões de apps no Android 15 e 16.

Localização do aparelho

Com a localização ativada no celular da criança, o Family Link mostra no mapa onde o aparelho está e pode avisar quando ele chega ou sai de lugares definidos, como a escola. O recurso depende de o celular estar ligado, conectado à internet e com a localização ativa.

Filtros de navegação e pesquisa

Nas configurações da conta supervisionada, mantenha o SafeSearch ativo na Pesquisa Google e use os controles do Chrome para bloquear sites específicos ou permitir apenas sites aprovados. Nenhum filtro é perfeito, então combine as ferramentas com conversa e acompanhamento.

Dicas práticas para a supervisão funcionar

  • Explique as regras: crianças que entendem por que existe um limite tendem a tentar menos contornar o controle.
  • Revise a cada aniversário: as necessidades de uma criança de 8 anos são muito diferentes das de um pré-adolescente de 12.
  • Proteja o seu próprio celular: como o Family Link fica no aparelho dos pais, use um bloqueio de tela forte. Se o tablet da família é compartilhado, vale também bloquear apps com senha no Android, como o app do banco.
  • Controle o consumo de internet: com chip próprio, a criança pode gastar o pacote inteiro em vídeos. Saiba como controlar e economizar dados móveis no Android.
  • Mantenha o sistema atualizado: os controles parentais nativos dependem do Android 17; aparelhos sem essa atualização ficam limitados ao Family Link.

Problemas comuns e como resolver

Algum controle parou de funcionar

Abra o Family Link e confira se o aparelho da criança aparece como conectado. Verifique também se o celular dela está com data, hora e internet corretas, porque a sincronização das regras depende disso.

A localização não atualiza

Verifique se a localização está ativada no celular da criança, se o modo de economia de bateria não está restringindo os serviços do Google e se o aparelho tem conexão de dados ou Wi-Fi.

O limite de tempo não está sendo aplicado

Confirme se o limite foi salvo para o dia correto da semana e se não há tempo bônus ativo. Lembre-se de que a contagem considera o uso no aparelho supervisionado, e não em outros dispositivos sem supervisão.

Perguntas frequentes

Não. O app e a supervisão da conta são gratuitos. Só há custo se você aprovar compras de apps ou conteúdos pagos.

Não. O iPhone pode ser usado pelos pais para gerenciar, mas o aparelho supervisionado precisa ser um Android, um Chromebook ou um Fitbit compatível.

Sim, adicionando supervisão à conta dele. A diferença é que, por ter atingido a idade mínima, ele pode encerrar a supervisão, e você será avisado se isso acontecer.

Não. Eles cobrem o básico direto no aparelho: tempo de tela, horários de descanso, filtros da Play Store e bloqueio de apps. Recursos como Modo Escola, aprovação de compras e localização continuam no Family Link.

Não. Ele mostra o tempo de uso por app, os apps instalados e a localização do aparelho, mas não dá acesso ao conteúdo das conversas.

Resumo

Para a maioria das famílias, a combinação ideal é: conta supervisionada pelo Family Link, limites de tempo e horário de descanso definidos, aprovação obrigatória para downloads e compras e classificação indicativa adequada à idade. Se o aparelho já está no Android 17, os controles nativos com PIN ajudam a reforçar essas regras direto nas Configurações. Acima de tudo, revise os ajustes com frequência e mantenha o diálogo aberto com a criança.

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