Meta vai a julgamento nos EUA acusada de lucros com exploração infantil
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Meta vai a júri nos EUA acusada de permitir exploração sexual infantil em Facebook e Instagram e lucrar com falhas de segurança.
A Meta Platforms, dona de redes sociais como Facebook, Instagram e WhatsApp, está prestes a enfrentar um julgamento histórico no estado do Novo México (EUA) sob a acusação de permitir que suas plataformas expusessem crianças e adolescentes a exploração sexual — e de lucrar com as falhas de segurança que teriam facilitado esse cenário.
A ação civil foi apresentada pelo procurador-geral do estado, Raúl Torrez, e marca um dos casos legais mais significativos já movidos contra a gigante da tecnologia em relação à proteção de menores no ambiente digital.
Acusações centrais e operação investigativa
A base do processo tem origem em uma investigação secreta realizada em 2023, na qual agentes criaram contas nas plataformas do grupo Meta com perfis falsos de usuários com menos de 14 anos. Segundo a acusação, essas contas receberam conteúdos explícitos e contatos por parte de adultos, que buscaram interagir sexualmente com os perfis de crianças.
O estado sustenta que, em vez de proteger usuários jovens, os sistemas da Meta permitiram que predadores encontrassem e contactassem menores, gerando um ambiente no qual a exploração podia ocorrer e, em certos casos, até resultar em abusos no mundo real.
A Meta nega acusações e diz investir em segurança
A empresa negou as alegações e afirma que investiu em ferramentas e políticas de segurança ao longo dos anos para proteger crianças e adolescentes em suas plataformas. Meta também citou proteções legais, como a Primeira Emenda dos EUA e leis de imunidade de provedores online, ao responder às acusações.
Em comunicados públicos, a companhia afirma que trabalha com especialistas e autoridades há mais de uma década para desenvolver mecanismos de detecção e remoção de conteúdos prejudiciais, além de sistemas como verificação de idade e restrições específicas para contas de adolescentes.
Impacto e o que está em jogo
O julgamento, que deve durar várias semanas, é visto por analistas como um teste importante das responsabilidades legais das grandes plataformas digitais na proteção de menores. Se a Meta for considerada culpada, isso pode abrir precedentes para outros processos semelhantes e promover mudanças profundas em como as redes sociais tratam a segurança infantil.
Especialistas jurídicos observam que o caso não acusa a Meta diretamente de criar conteúdo exploratório, mas de falhar em conter a disseminação desse material e permitir que predadores o encontrem e interajam com vítimas potenciais.
Além disso, as alegações destacam questões técnicas relacionadas aos algoritmos e designs de plataforma que, segundo críticos, favorecem maior tempo de uso e maior exposição — fatores que podem intensificar os riscos para usuários jovens.
Repercussão para usuários e sociedade
O julgamento ocorre em meio a uma crescente pressão global por maiores padrões de segurança online para menores, com governos e entidades civis pedindo regras mais rígidas e transparência das grandes empresas de tecnologia. Casos semelhantes em outras partes do mundo refletem preocupações sobre como redes sociais equilibram lucros com a proteção de usuários vulneráveis.
Para muitos críticos, o caso representa uma oportunidade de responsabilizar plataformas poderosas por práticas que podem priorizar engajamento e receita em detrimento da segurança de crianças e adolescentes — uma tensão que tem sido amplamente debatida em tribunais, parlamentos e fóruns públicos.
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